A repressão como política de Estado

De acordo com a estatística durante o primeiro semestre de 2017, houve 39 atos repressivos em relação a conflitos sociais. No segundo trimestre o número atingiu 18 casos.

Fonte: Tiempo Argentino │Durante os primeiros seis meses de 2017, organizações da sociedade civil, povos indígenas, partidos políticos, mulheres, moradores e estudantes foram reprimidos pelas forças de segurança.

De acordo com levantamento realizado pela CEPA (Corriente Estudiantil Popular y Antiimperialista), a repressão ocorreu em “moradores que reivindicavam assistência nas inundações, povos indígenas, mulheres que se mobilizavam no Dia Internacional da Mulher, moradores que exigiam justiça para casos de mortes por violência policial, professores e movimentos sociais que solicitavam habitação e ajuda alimentar”.

O relatório também destaca “as ações da polícia da província de Buenos Aires que não só atinge com suas políticas repressivas a trabalhadores, líderes sociais, mulheres e moradores, mas também estudantes secundaristas e do ensino fundamental”.

A Rede de Mães e Pais contra a Violência Institucional para as Escolas, composta por familiares de jovens de diferentes centros educacionais, denuncia que a repressão agora virou uma política de Estado. Em 36 dias já atingiu mais de 20 casos de violência policial nas escolas primárias e secundárias na cidade de Buenos Aires. A Rede também aponta que, se os abusos da polícia forem contabilizados nas escolas do interior e nas universidades nacionais, o registro atinge 40 casos. A violência policial não se limita ao espaço público, mas é exercida nas mesmas escolas.

Para a CEPA, “as políticas que têm sido aplicadas desde a assunção do governo de Cambiemos, significam que o ajuste econômico e a redistribuição regressiva da renda são acompanhados pelo outro lado da moeda, a repressão, como parte de um mecanismo sistemático de disciplinamento social”.


“A repressão funciona desta maneira como um mecanismo para “conter” o conflito, reprimir as reivindicações e como uma mensagem de reivindicações futuras, protestos ou vozes dissidentes”.


O relatório observa que, entre essas práticas repressivas, não são apenas o uso da violência física em relação aos manifestantes, mas também o uso das ferramentas que fornecem justiça, com uma tática cada vez mais aprofundada: a judicialização do protesto social.

Neste contexto, a CEPA ressalta que a lógica que foi inaugurada em janeiro de 2016 com a prisão da líder social (e deputada eleita do Parlasur) Milagro Sala não faz mais do que se aprofundar, visando líderes sociais e sindicais. Neste contexto, o levantamento diz que “depois de dois anos de gestão de Cambiemos, cada vez mais manifestantes se juntam à lista de imputados e/ou presos. Entre eles podemos mencionar referentes de diferentes províncias”.

Com os dados revelados pelo relatório, na CEPA concluem que “os eventos que ocorreram na noite de sexta-feira (1 de setembro), no final de uma mobilização maciça exigindo a aparição de Santiago Maldonado, parecem ser mais um degrau da política implementada pelo Cambiemos“.

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Imagem: http://www.tiempoar.com.ar

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