Nova investida judicial contra Cristina Kirchner pela denúncia de Nisman

O procurador Gerardo Pollicita solicitou ao polêmico juiz Claudio Bonadio que chamasse para depor à ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, investigada por encobrimento do atentado da AMIA, com base na denuncia do falecido promotor Alberto Nisman.

 O promotor federal Gerardo Pollicita pediu ao polêmico juiz Claudio Bonadio que chamasse para prestar declaração indagatória à ex-presidente Cristina Kirchner, acusada de encobrir os acusados do atentado da AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina) com base na denúncia do falecido promotor Alberto Nisman.

De acordo com o promotor Pollicita novas provas produzidas no caso permitiram que ele agora solicitasse a medida processual. Além disso, o promotor, vinculado ao PRO desde o tempo em que Maurício Macri era presidente do clube Boca Juniors, também solicitou que sejam chamados a depor o ex-ministro das Relações Exteriores Hector Timerman, o líder da La Campora (agrupação juvenil do partido de Cristina Kirchner) Andrés “Cuervo” Larroque, o líder do partido MILES, Luis D Elía; o ex-chefe da agrupação Quebracho, Fernando Esteche, além de alguns ex-funcionários do Ministério das Relações Exteriores e da Agência Estatal de Inteligência (AFI).

De acordo com a acusação do procurador Nisman, cuja morte ainda é investigada, o Memorando de Entendimento com o Irã tinha como objetivo oculto a impunidade dos acusados do atentado de 18 de julho de 1994, no qual faleceram 85 pessoas.

O Memorando envolveu a formação de uma “Comissão da Verdade” que analisaria todos os aspectos do caso e permitiria tomar depoimentos dos suspeitos, algo que com a recusa do Irã impediu o processo de avançar.

Por este motivo o acordo, a pesar de ter sido aprovado pelo Congresso argentino, nunca foi posto em prática, já que o próprio Irã boicotou sua aplicação.

Na sequência da mediática denúncia do fiscal Nisman, em 14 de janeiro de 2015, o próprio chefe da Interpol em 2013, Ronald Noble, desmentiu o próprio Nisman e declarou em uma entrevista com o jornal argentino Página 12 que o governo argentino havia deixado clara sua vontade de manter os alertas vermelhos em vigor, envolvendo o pedido de captura internacional contra um ex-presidente e altos funcionários iranianos. Esta declaração contraria a denúncia do promotor, que faleceu quatro dias depois em circunstâncias indefinidas. A denuncia já foi rejeitada cinco vezes na Justiça Federal, mas com a mudança de governo, a Câmara de Cassação Criminal retificou  a jurisprudência e permitiu a continuação do processo.

Para completar a perseguição judiciária, o promotor Germán Moldes abriu um caso paralelo pelo crime de “Traição à pátria” que, “coincidentemente”, também caiu no tribunal do juiz Bonadio.

Por sua vez, durante uma caminhada pela populosa cidade de Avellaneda, em 7 de setembro, a ex-mandatária e atual candidata a senadora por Unidad Ciudadana declarou que havia uma “perseguição” judicial contra ela e criticou o pedido de investigação feito pelo promotor federal Gerardo Pollicita, no âmbito da denúncia do falecido Alberto Nisman por suposto encobrimento do Irã.

“Não só eu acredito, há (uma perseguição), e se algo faltasse como prova é essa absurda acusação de encobrir a AMIA”, disse ela. Em sua opiniãoo que essa acusação revela é que o Estado de Direito na República Argentina terminou e que os procuradores e os juízes podem assinar qualquer coisa que seja enviada pela Casa Rosada”.Nisman_Cristina_Bonadio

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