Governo de Cambiemos demite 500 operários de mina de carvão na Patagônia

O governo de Cambiemos ajustou o orçamento de 2017 da empresa estatal Yacimientos Carboníferos Río Turbio e, conseqüentemente, mais de 500 trabalhadores acabaram na rua.

A Argentina amarga demissões em todo o seu território. No que já é uma prática constante do governo de Maurício Macri, em Río Turbio, província de Santa Cruz, ordenou a demissão de mais de 500 trabalhadores de Yacimientos Carboníferos Río Turbio (YCRT). A empresa, que em 2017 tinha um orçamento de 4,7 bilhões de pesos, sofreu um corte de 1,1 bilhões de pesos neste ano, e ficou com cerca de 3,6 bilhões em caixa para funcionar.

Dos 2.700 operários que trabalham na mina, operada pela empresa Yacimientos Carboníferos, mais de 500 já receberam o telegrama de demissão. E poderia haver mais 800 demissões.

“De acordo com a mídia nacional, a ideia é demitir 1.200 trabalhadores. Se a empresa fechar, viraria uma cidade [Río Turbio] fantasma”, disse Javier Also, secretário de imprensa da ATE, sindicato que representa os funcionários do estado de Río Turbio.

Quatro sindicatos que compõem a intersindical mineira denunciam que entre os demitidos há delegados ou representantes sindicais, o que é proibido por lei. Ao mesmo tempo, eles acusam que a intervenção da empresa estatal tentou, com várias astúcias, dobrar a resistência dos trabalhadores da mineradora para que renunciassem a todas as conquistas da convenção coletiva de trabalho.

Por esta razão, os trabalhadores, juntamente com a comunidade da bacia carbonífera, mantêm um plano de luta e resistência para que os operários demitidos sejam reintegrados e que a fonte de trabalho não seja fechada. Eles ocuparam a Mina 5 e fizeram passeatas juntamente com a comunidade.

manifestación

O secretário-geral da ATE Rio Turbio, Miguel Páez após uma reunião com os membros da mesa intersindical que realiza as manifestações, afirmou que “a mina tem o potencial de desempenhar um papel fundamental dentro da soberania energética da Argentina. Todos os habitantes da área estão à espera de uma decisão política que nos permita gerar eletricidade que nosso país precisa tanto. Mas, além disso, a ativação produziria um aumento na industrialização [da província] de Santa Cruz “.

“Também estamos conduzindo negociações para ver se podemos reverter as 500 demissões. Caso não haja respostas dos diretivos sobre esta questão, vamos nacionalizar o conflito e é neste quadro que estamos tentando aproveitar essas reuniões para organizar uma frente de defesa dos empregos na cidade de Buenos Aires”.

Segundo os prefeitos das cidades da região onde se encontra a empresa mineradora, existe uma estratégia do governo para paralisar a mina. “Desde que o novo governo assumiu, o pouco que era necessário para completar a construção da planta não foi concluído. Uma única pá de carvão não foi extraída, com o qual entendemos que existe uma estratégia para paralisar a mina. Demitem trabalhadores e, com essa ação, pressionam o resto dos companheiros a aceitar o plano de demissões voluntárias. Isso já foi experimentado pelos argentinos na década de 1990, quando centenas de milhares de trabalhadores dos setores públicos foram obrigados a se auto-demitirem. Essas estratégias de esvaziamento violam toda a legislação atual, violam todos os acordos trabalhistas assinados entre a empresa e as organizações de trabalhadores e violam todos os tratados internacionais relacionados com legislação trabalhista que a Argentina assinou”.1

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