Uma reforma de fachada

O presidente Maurício Macri anunciou que reduziria em 25% os funcionários políticos de maior hierarquia no Estado, que congelaria os salários daqueles que permanecessem e que não mais permitiria que parentes dos ministros trabalhassem na administração pública. O anúncio ocorre em meio a demissões em massa em todo o país no setor público e privado e a uma queda acentuada da imagem do presidente Macri de 14 por cento desde outubro e 4 pontos em janeiro, após a aprovação da reforma da previdência, de medidas de ajuste e do maltrato do Ministro do Trabalho Triaca à empregada que tinha sem carteira assinada.

FONTE: Nuestras Voces

O presidente Maurício Macri anunciou em conferência de imprensa na Casa Rosada, três medidas que ele apresentou como “plano de ajuste político“: reduzir em 25% os funcionários de maior hierarquia no Estado; congelar os salários daqueles que permanecem (ou seja, não terão negociação salarial este ano); e assinar um decreto pelo qual nenhum ministro poderá ter parentes no governo.

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“Com esta medida, vamos perder colaboradores valiosos”, disse Macri, que também informou: “Vamos reduzir um de cada quatro cargos políticos do Poder Executivo Nacional”. Desta forma, calcula-se que 1000 empregos públicos hierárquicos deixarão de existir, o que implica uma modificação importante no organograma do Estado. Com esse corte, o presidente espera economizar 1,5 bilhões de pesos. Ele também assegurou que “os funcionários não terão um aumento salarial este ano”, o que significa que eles não terão negociações coletivas salariais, acrescentando: “Eu vou assinar um decreto para que nenhum ministro possa ter parentes no governo”.

Em um tom otimista, e com o argumento de que “a política deveria ser um exemplo de austeridade”, o presidente argentino também anunciou que “já passamos os piores momentos”, e se entusiasmou novamente com a chuva de investimentos: “mais e mais empresas vão investir [no país]”.

Cabe destacar que a origem do “problema” foi gerado pelo mesmo governo de Cambiemos: Macri aumentou a estrutura do estado em média 25%, apesar de ter prometido uma redução na campanha eleitoral e de já ter demitido 11 mil funcionários contratados desde que assumiu.

O anúncio do pacote de cortes do “plano de ajuste de políticas” para mostrar uma atitude austera no setor de políticas ocorre coincidentemente em um contexto em que o governo avança dia a dia com novas medidas de ajuste, aumentos generalizados dos preços dos transportes e serviços, e onde as demissões em massa já são notícias diárias, tanto na esfera pública quanto privada. Além disso, o anúncio ocorre poucos dias depois de que duas consultoras de opinião de renome, da Universidade de San Andrés e Ricardo Rouvier & Asociados, indicaram que, de acordo com suas pesquisas, a imagem positiva do presidente teve uma queda acentuada.

De acordo com a pesquisa da Universidade de San Andrés, a imagem positiva de Macri caiu 14 pontos em apenas dois meses, por causa da “maior resistência da sociedade” às reformas da previdência, fiscal e tributária, o que significou um corte de 100 bilhões de pesos para aposentados e beneficiários da AUH (similar à Bolsa Família).

Por sua vez, a pesquisa de Rouvier & Asociados apontou que sua imagem positiva caiu quatro pontos em janeiro, passando de 48,8 para 44,6%, enquanto sua imagem negativa aumentou de 47,9 para 52,4%.

Também contribuiu para a queda de popularidade do governo o episódio que o ministro do Trabalho Jorge Triaca protagonizou. Ele maltratou e demitiu sua empregada doméstica que trabalhava sem carteira assinada em uma de suas propriedades pela rede social.

Leia mais: Ministro de Trabalho da Argentina também tem problemas com empregados sem carteira assinada

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