Nova tempestade econômica se abate sobre o governo de Macri

O governo enfrenta novas pressões financeiras. Em matéria de câmbio, isso se traduz em uma escalada do dólar e uma queda adicional nas reservas.

Por: Federico Kucher

FONTE: Página 12

O dólar alcançou ontem os 28,23 pesos, com um aumento de 20 centavos. As renovadas tensões cambiais são explicadas por diferentes razões externas e internas.

No mundo, a maioria das moedas dos países emergentes foi desvalorizada por um novo episódio da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, e a  moeda argentina foi a que mais se desvalorizou.

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Imagen: Guadalupe Lombardo

A situação local aumenta a tendência dos investidores para a dolarização. O risco país aumentou acentuadamente nos últimos dias e gerou, ontem, quedas de até 9% nas ações e títulos. O Ministério das Finanças teve que oferecer uma taxa de 4,99 por cento na emissão de Letes (letras do tesouro nacional) de curto prazo, quando no mês passado tinha sido 3,75 por cento. Apesar desse aumento, foram renovados apenas 430 dos 800 milhões de dólares dos títulos que venciam.

O Banco Central não consegue estabilizar as reservas e por semanas registrou perdas milionárias. As reservas da entidade fecharam em 57,584 milhões de dólares, caindo 73 milhões no dia e acumulando uma queda de 5.694 milhões desde 22 de junho, quando chegou o empréstimo do FMI. A redução da  oferta pública do Banco Central de 100 para 50 milhões de dólares por dia, a partir desta semana. aumentou as pressões no mercado cambiário porque limita a oferta de moeda estrangeira. A autoridade monetária não tem margem para continuar oferecendo dólares. Devido a um compromisso com o FMI, tem que chegar a setembro com um nível mínimo de reservas internacionais líquidas que não pode ser quebrado porque colocaria em risco a entrada do restante das parcelas do empréstimo de 50.000 milhões de dólares. Luis Caputo está negociando para modificar esse limite de reservas líquidas, com o objetivo de recuperar reservas disponíveis para ofertar ao mercado.

A taxa de câmbio no atacado subiu 25 centavos, terminando em 27,65 pesos. O volume operado foi de 629 milhões de dólares. A demanda provocou pressões durante todo o dia e a oferta foi escassa devido ao aumento da expectativa de desvalorização. Os  agroexportadores reduziram o ingresso de moeda estrangeira por dia em 50%. Os consultores de mercado começaram a fazer circular relatórios nos quais  garantem que o dólar em torno de 28 seja “barato”. Eles mencionaram que a taxa de juros do Lebac, de 50% anuais, mantém por enquanto a moeda abaixo de 30 pesos, mas que a situação não é sustentável por muitas semanas.

A autoridade monetária não consegue acumular reservas porque a economia não gera fontes genuínas de renda em dólar e os déficits externos permanecem abertos em todas as frentes. A economia continua a perder divisas por causa do turismo, da poupança e do comércio exterior. O risco argentino tornou-se uma preocupação para os investidores em todo o mundo e é observado não apenas com a dolarização, mas com a saída do capital investido em títulos e ações do país.

No mercado de câmbio não faz sentido fazer futurologia. Mas os elementos estruturais da economia geram alertas. Há cada vez mais economistas que apontam para a possibilidade de uma nova espiral de preços para a taxa de câmbio. Uma das principais variáveis ​​a observar é que os títulos Lebac desde julho, quando o dólar já estava em 28 pesos, geraram lucros de mais de 4% em dólares para os investidores. Se a taxa de câmbio não subir fortemente até meados da próxima semana, o retorno em dois meses seria de 8% e o anualizado aumentaria para 50% em moeda forte. Não há economia no mundo capaz de sustentar esse tipo de lucro em dólares. E um dos mecanismos de ajuste mais simples para reduzir esses retornos é com um forte aumento na taxa de câmbio.

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