A transformação do movimento nacional, popular e democrático na Argentina começa agora

Argentina Traduzida FF-1 Desde as invasões inglesas, no início do século XIX, o movimento popular na Argentina se organizou para resistir e libertar. Resistir o imperialismo e libertar as forças de um povo querendo viver em paz e alegria. A resistência das invasões inglesas se transformou no movimento revolucionário de maio, os dirigentes das forças militares populares que repeliram a armada inglesa em 1806-1807 deram lugar aos dirigentes que derrocaram o vice-rei Cisneros e constituíram o Cabildo aberto de 25 de maio de 1810. Assim, começou a guerra revolucionária contra o imperialismo espanhol e para isso foi preciso outro grupo de dirigentes e outra organização popular. O resultado foi a declaração da independência das Províncias Unidas del Río de la Plata, com outros dirigentes e outro movimento. Como a história não é linear e unívoca a independência não foi um evento harmônico.


A oligarquia local, sempre oportunista e sempre aliada ao imperialismo, evitou com todas suas forças a liberação do povo.


Assim, o movimento popular teve marchas e contramarchas, as batalhas dos caudilhos, os federais, depois a conformação da União Cívica, no início do século XX, a organização da classe operária com os imigrantes europeus anarquistas, comunistas e socialistas… A oligarquia foi coerente e determinada, no século XIX começou com o genocídio dos povos originários e o assassinato em massa da população negra, no século XX aplicou a técnica dos golpes de Estado e o terrorismo de Estado. O papel vergonhoso de boa parte das forças armadas, que em seu inicio, com San Martin e Belgrano, eram forças revolucionárias durante a primeira metade do século XX, se dedicaram a ser capachos dos ingleses tendo seu próprio povo como inimigo. Essa lamentável função foi interrompida pelos coronéis de Perón que em 1945 volta a restabelecer a aliança com o povo e os trabalhadores. Novamente o movimento popular toma outra forma, e outros dirigentes. Os dias felizes chegam até 1955, quando outra vez um setor das forças armadas decide bombardear seu próprio povo e fuzilar aos seus camaradas de armas para satisfazer a ordem do imperialismo e da oligarquia local que nunca suportaram o sorriso de um trabalhador e a alegria de uma criança da periferia. O terrorismo de Estado se aperfeiçoa e o genocídio é praticado com requinte, o movimento popular passou á clandestinidade.


Foram décadas de resistência e muitos não sobreviveram: 30.000 companheiros ficaram para sempre na nossa memória.


Mas em 1983 Alfonsín aparece como o dirigente de uma nova forma de organização, retomamos a ideia e o valor da democracia, da institucionalidade, da paz. Outra vez não foi fácil. A Oligarquia não só não gosta de sorrisos, também não gosta de democracia e faz tudo para destruir o movimento popular e o próprio país. Em 19 de dezembro de 2001 a Argentina não tinha moeda, não tinha verticalidade no mando das forças armadas, não tinha institucionalidade, só tinha mortos na rua e um povo resistindo até o esgotamento. Foi nesse clima que no dia 25 de maio de 2003 Néstor Kirchner assume o comando do Estado e a responsabilidade de reorganizar o movimento popular. O peronismo se refaz, o movimento popular toma outras formas, aparecem outros dirigentes e começamos a viver outra vez dias felizes. O dia que Nestor morreu parecia que o sonho tinha acabado: grande erro! Cristina estava lá para continuar o que o povo tinha começado construir. Cristina Kirchner e Eva Perón talvez sejam os maiores quadros políticos da história argentina e em ambos casos mostraram que o importante não é o protagonismo, mas que a história continue. Em 2015 a oligarquia ganhou e fez o único que sabe fazer, rapinar, reprimir, destruir, matar.
Hoje Cristina está mostrando que o movimento popular deve tomar outra forma e devem assumir outros dirigentes. Nós, cristinistas, estaremos lá, acompanharemos, militaremos como sempre, mas sabendo que o tempo é outro, que os dirigentes são outros, que as formas devem ser outras.


Hoje é o tempo do companheiro Alberto Fernández, ele será o presidente e o responsável por levar adiante o movimento nacional, popular e democrático.


Ele convocará companheiros com os quais em algum momento nos distanciamos e nós os receberemos de braços abertos. O peronismo é um lugar com uma porta bem grande e bem alta para que cada companheiro que deseje retornar possa entrar de cabeça erguida e com alegria. Assim, o peronismo, as forças políticas e populares independentes, as pessoas do povo terão outra forma de se organizar para levar adiante a tarefa da justiça social, a independência econômica e a soberania política com democracia.
Alberto Fernández conduz. Comecemos a campanha eleitoral, precisamos ganhar no primeiro turno, ter maioria no congresso e o povo mobilizado na rua, somos um movimento populista, não governamos com as corporações, governamos com o povo ativo, em permanente trabalho de reflexão e ação. Cada casa de cada companheiro é hoje uma unidade básica ao serviço da campanha de Alberto Fernández.
2020 nos encontrará unidos e não dominados.

Daniel Omar Pérez

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