Os pontos fracos do acordo Mercosul-União Europeia

Os blocos econômicos assinaram um acordo histórico após 20 anos. No entanto, as incertezas sobre como a Argentina se integrará gera incerteza.

FONTE El Destape Web

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O acordo assinado entre o Mercosul e a União Europeia (UE) deixou várias dúvidas, apesar dos festejos do governo Macri nas redes sociais. O medo de diminuir as exportações e a desvantagem perante as economias europeias são os pontos fracos mais importantes do acordo.

Através de diferentes comunicados, os dois blocos difundiram as bases do acordo. Do lado latino-americano, destacaram a eliminação de 93% das tarifas de exportação e o tratamento preferencial para quase todos os 7% restantes.

“O Mercosul obtém prazos longos de até 15 anos para liberar gradualmente setores sensíveis. O acordo favorece o comércio intra-industrial, reduzindo as tarifas de insumos e bens de capital “, disse o documento.

Em detalhe, o comunicado acrescenta: “63% das exportações argentinas para a UE são produtos agrícolas. A UE libera 99% das importações agrícolas do Mercosul: para 81,7%, eliminará as taxas de importação. Enquanto isso, os restantes 17,7% oferecerão cotas ou preferências fixas. Somente ficaram excluídos aproximadamente 100 produtos.”

Por outro lado, o bloco europeu ressaltou que o acordo retirará a maior parte das taxas sobre exportações e que as empresas do continente economizarão quatro bilhões de euros. Os setores que poderiam ser mais favorecidos seriam os automotivos, produtores de produtos químicos, farmacêuticos e de vestuário, entre outros ramos da economia.

Quais poderiam ser as consequências para a Argentina? As exportações totais cairiam. Primeiro, a redução de taxas entre a UE e o Mercosul afetaria as preferências no mercado comum, o que levaria à queda das exportações argentinas de produtos manufaturados de origem industrial (MOI) para o resto do Mercosul.

Além disso, o protecionismo agrícola na Europa impediria a Argentina de aumentar seu volume de exportações desses produtos ligados ao complexo alimentar.

Por outro lado, as importações da Europa  aumentarão exponencialmente pela redução de taxas, especialmente no caso de produtos industriais com elevado valor agregado.  Portanto, Argentina se converteria num fornecedor de matérias-primas e alimentos, e se tornaria importador de bens industrializados de maior valor agregado e conteúdo tecnológico.

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